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O que aconteceu com o pecado?

Por - Dr. Ab Abercrombie


Em 1973, o renomado psiquiatra Karl Menninger escreveu um livro intitulado Whatever Became of Sin? ("O que Aconteceu com o Pecado?"). Em seu livro, o médico projetou que chegaria o dia em que o pecado deixaria de fazer parte do vocabulário humano. Ele especulou que a explicação do pecado e das más ações seria substituída por racionalizações que isentariam o indivíduo de sua responsabilidade.


Menninger previu que o termo pecado seria substituído por palavras como doença, transtorno, disfunção, síndrome etc. A condição humana seria desculpada como produto da bioquímica, do ambiente, das experiências e dos traumas. Ele projetou que até mesmo o crime deixaria de ser punido, pois a atividade criminosa seria justificada e minimizada como resultado de alguma anormalidade médica pela qual ninguém poderia ser responsabilizado.


Segundo a previsão de Menninger, aproximava-se o dia em que praticamente todos seriam considerados doentes e sua conduta seria vista como desculpável. Não haveria mais responsabilidade pelo erro humano, pelas escolhas e pelas ações deliberadas. Todos seriam inocentados, justificados pela biologia, pela psiquiatria e pelo raciocínio humanista.


Não estamos praticamente nesse ponto? O bom doutor revelou-se um excelente profeta!


O humanismo tornou-se a teologia dominante de nossos dias, sendo cada vez mais adotado em toda a sociedade e, lamentavelmente, também na Igreja. O humanismo ensina que tudo é relativo e que não existem absolutos. Como consequência, não pode haver pecado, porque não existem padrões morais fixos. Segundo essa doutrina, o homem é considerado bom e merecedor de tudo o que deseja.


Além disso, o humanismo parte do pressuposto de que Deus não existe. O homem é seu próprio soberano; sábio, competente e capaz de tomar as decisões que são melhores para si mesmo. A salvação, então, consiste no prazer e na gratificação da experiência humana. O humanismo é centrado no indivíduo, sem consideração pelos outros, e busca ganhos imediatos sem levar em conta seu impacto de longo prazo ou eterno.


Se o homem é bom, sábio, competente e merecedor, então literalmente não pode fazer o mal. Portanto, se algo errado acontece, a culpa não pode ser do homem. Para que alguém aja mal, deve haver uma razão. E, mais do que nunca, ouvimos a Igreja empregar o raciocínio do mundo e abandonar a linguagem e a clareza das Escrituras:


  • Ela não é uma bêbada (1Co 6.9–10)... ela tem a doença do alcoolismo.

  • Ele não é sexualmente imoral (1Ts 4.3)... ele é um viciado em sexo.

  • A criança não é desobediente aos pais (Rm 1.28–32)... ela tem Transtorno Opositivo Desafiador com TDAH.

  • Ele não é um homem iracundo (Pv 29.22)... ele está revivendo os padrões decorrentes dos abusos sofridos na infância.

  • Ela não é amarga nem incapaz de perdoar (Ef 4.31–32)... ela sofre de distimia (depressão).

  • Ele não é um assassino (Êx 20.13)... ele tem transtorno bipolar e estava incapacitado no momento do crime.


Em nossos esforços para explicar o comportamento humano de maneiras que consideramos relevantes e aplicáveis, tornamo-nos vulneráveis ao fermento (Mt 16.6) da psicologia humanista, que fala em termos de circunstâncias, experiências, genética e bioquímica. Essas e outras explicações tornaram-se as "razões" pelas quais indivíduos e famílias agem da maneira como agem.


Como a linguagem e as definições mudaram, também mudaram os remédios aceitos. Quando nos afastamos da definição bíblica do problema, passamos a considerar que a resposta estava além do alcance das Escrituras. Ao definirmos os problemas do homem em termos físicos e relacionais, caímos na ideia de que psicoterapia, medicação e abordagens semelhantes eram as soluções necessárias.


Nesse processo ocorreu uma lenta erosão da cosmovisão cristã. A Bíblia deixou de ser considerada o modelo para a vida, e o Corpo de Cristo foi sendo desviado pelo raciocínio humanista, que está dominando a Igreja. Jesus advertiu sobre a influência enganadora do falso ensino:


"Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus." (Mt 16.6).


Paulo também usou o fermento como metáfora para ilustrar quão insidiosa pode ser uma falsa ideia, observando quão rapidamente um ensino incorreto pode espalhar-se e influenciar o crente e a Igreja. Paulo escreveu:


"Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes obedecendo à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chama. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio de vós, no Senhor, que não tereis outro modo de pensar..." (Gl 5.7–10a).


Paulo pergunta à igreja da Galácia de onde vinham essas ideias falsas. Por que estavam voltando ao "jugo de escravidão" (Gl 5.1) depois de terem sido libertados? Ele afirma que a igreja estava "correndo bem" até ser "impedida" (distraída) de "obedecer à verdade". E observa que essa influência não procedia "daquele que vos chama".


Esse era o desafio de Paulo aos gálatas: olhar ao redor e reorientar-se. Eles haviam desviado os olhos da verdade e se apegaram à mentira. O apóstolo lembra que esse fermento se espalhará rapidamente e contaminará "toda a massa": o homem inteiro, o casamento inteiro, a família inteira e toda a igreja. Finalmente, Paulo os encoraja a "não adotar outro modo de pensar" além da verdade plena e convincente do evangelho.


Essa carta poderia muito bem ter sido escrita para a Igreja atual nos Estados Unidos. Nossa corrida rumo ao prêmio (1Co 9.24) foi comprometida por um pouco de fermento... um pequeno fragmento de mentira. O humanismo é o fermento que "persuadiu" a Igreja a afastar-se da verdade, embora seus ideais e objetivos sejam antitéticos às Escrituras.


Tão grande é a influência do humanismo que hoje as Escrituras são consideradas insuficientes e inferiores às teorias e métodos do mundo. Basta ouvir a linguagem usada na Igreja para perceber que houve uma mudança cultural. Os cristãos estão deixando de medir e orientar suas vidas pela verdade da Palavra de Deus e passando a confiar na sabedoria do mundo (1Co 3.19).


Ao mudar nossa linguagem, nosso foco, nossas definições e nossas soluções, a Igreja está retornando rapidamente à escravidão. A escravidão é promovida quando se evita a verdade que liberta. Jesus disse:


"Se permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (Jo 8.31–32).


Permanecer na Palavra de Deus refere-se a uma progressão ininterrupta. Não devemos ser influenciados, distraídos nem impedidos de "obedecer à verdade" (Gl 5.7). Nessa caminhada seremos libertados. Permanecer dentro de uma cosmovisão humanista é permanecer preso aos remédios da terra... pelo resto da vida!


Os Alcoólicos Anônimos ensinam que pessoas que abusam do álcool são "alcoólatras" para sempre. Elas podem apenas controlar sua "doença". Não existe cura. Psiquiatras sugerem que indivíduos com depressão, ansiedade severa, fobia social, instabilidade e outros problemas são permanentemente "bioquimicamente comprometidos". A maioria precisará administrar sua "doença" pelo restante da vida.


Psicoterapeutas frequentemente ensinam que sobreviventes de abuso são "vítimas" com ferimentos permanentes. Assim como um membro amputado, a lesão não pode ser reparada. O máximo que se pode fazer é aprender métodos para lidar com a compreensível "disfunção" no comportamento, no humor e nos relacionamentos. Terapeutas familiares frequentemente recomendam o divórcio devido à comunicação e à conduta "patológicas" dentro do casamento e aos traços de personalidade considerados "fixos" dos indivíduos.


Quando foi que a Igreja decidiu que era melhor estar doente do que ser pecador?

A doença muitas vezes não tem cura e exige constante aplicação de medidas de alívio. Mas o pecado tem uma solução que cura e restaura, mesmo enquanto nossos corpos estão perecendo. Paulo escreveu:


"Por isso não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, mas as que se não veem são eternas." (2Co 4.16–18).


Como biblicistas, devemos ministrar à dor e ao sofrimento decorrentes da dimensão física da vida, mas jamais podemos esquecer do "homem interior". Nossa resposta aos irmãos na fé deve ir além do temporal, buscando sempre "as coisas que se não veem". Nossas ações sempre produzem consequências eternas. Portanto, não devemos nos enredar na superficialidade do humanismo, mas promover a totalidade das Escrituras, incluindo a doutrina do pecado e seu remédio: o Senhor Jesus Cristo.


"Ela dará à luz um Filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles." (Mt 1.21)

Tradução: Tiago Silva

 
 
 

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