Declaração de Nashville

A Declaração de Nashville é uma declaração cristã de fé evangélica a respeito do papel da sexualidade e dos papéis de gênero escrita pelo Conselho sobre a Masculinidade e Feminilidade Bíblica em 08/09/2017(sigla em inglês, CBMW).
Preâmbulo
"Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto..." (Salmos 100.3)
Os cristãos Evangélicos no alvorecer do século XXI encontram-se em um perído de transição histórica. à medida que a cultura ocidental se torna cada vez mais pós-Cristã, embarca em uma revisão profunda do que significa ser humano. De um modo geral, o espírito de nossa época, não percebe ou se deleita mais com a beleza do projeto de Deus para a vida humana. Muitos negam que Deus criou o ser humano para a sua glória, e que os seus bons propósitos para conosco incluem o nosso modelo físico e pessoal como masculino e feminino. É comum pensar que a identidade humana como masculina e feminina não seja uma parte do maravilhoso plano de Deus, mas é, e é mais do que um expressão individual de suas preferências autônomas. O caminho para a alegria completa e duradoura através do bom projeto de Deus para suas criaturas é então substituído pelo caminho de alternativas míopes que, mais cedo ou mais tarde, arruinam com a vida humana e desonram a Deus.
Este espírito secular de nossa época apresenta um grande desafio para a igreja Cristã. A igreja do Senhor Jesus Cristo perderá sua convicção, clareza e coragem bíblica, e se misturará ao espírito da época? Ou ela se manterá firme à palavra da vida, suscitará coragem através de Jesus, e despudoradamente proclamará o seu modo como o caminho da vida? Ela preservará o seu testemunho transparente, contracultural para um mundo que parece caído em ruína?
Estamos convencidos de que a fidelidade em nossa geração significa declarar mais uma vez, a verdadeira história do mundo e de nosso lugar nele – particularmente como masculino e feminino. As Escrituras Cristãs ensinam que existe apenas um Deus, e que é o Criador e Senhor de tudo. Somente a ele, uma pessoa deve agradecimento alegre, adoração sincera e total lealdade. Este é o caminho não só para glorificar a Deus, mas também para conhecer a si mesmo. Esquecer do nosso Criador é esquecermo-nos de nós mesmos, pois ele nos fez para ele mesmo. E nós não podemos nos conhecer verdadeiramente sem conhecemo-Lo verdadeiramente. Nós não nos fizemos. Nós não somos de nós mesmos. Nossa verdadeira identidade, como pessoas masculinas e femininas, é dada por Deus. Não é apenas tolo, como também inútil, tentarmos fazer de nós mesmos o que Deus não nos criou para ser.
Cremos que o plano de Deus para a Sua criação e o Seu caminho de salvação servem para levar a ele a glória maior e trazer a nós o bem maior. O plano bom de Deus nos fornece a liberdade maior. Jesus disse que ele veio para que nós possamos ter uma vida abundante. Ele é por nós e não contra nós. Portanto, na esperança de servir à igreja de Cristo e testemunhar publicamente para os propósitos bons de Deus para a sexualidade humana revelada nas Escrituras Cristãs, nós oferecemos as seguintes afirmações e negações.
Artigo I
AFIRMAMOS que Deus designou o casamento para ser uma união pactual, sexual, procriativa, vitalícia entre um homem e uma mulher, como marido e esposa, e que ele tem o propósito de simbolizar o amor da aliança entre Cristo e sua noiva, a igreja.
NEGAMOS que Deus designou o casamento para ser uma relação homossexual, poligámica ou poliamorosa. Negamos também que o casamento seja uma mero contrato humano, e não uma aliança feita perante Deus.
Artigo II
AFIRMAMOS que a vontade de Deus revelada para todas as pessoas é a castidade fora do casamento e a fidelidade dentro do casamento.
NEGAMOS que qualquer afeição, desejo ou compromisso justifiquem relações sexuais, seja antes ou fora do casamento; ou que justifiquem qualquer forma de imoralidade sexual.
Artigo III
AFIRMAMOS que Deus criou Adão e Eva, os primeiros seres humanos, à sua imagem, iguais, perante Deus, como pessoas, e distintos como masculino e feminino.
NEGAMOS que as diferenças ordenadas divinamente entre homem e mulher façam com que os mesmos sejam desiguais em dignidade e valor.
Artigo IV
AFIRMAMOS que as diferenças divinamente ordenadas entre homem e mulher refletem o projeto de criação original de Deus e foram feitas para o bem e para o florescimento da humanidade.
NEGAMOS que essas diferenças sejam resultado da Queda ou uma tragédia a ser superada.
Artigo V
AFIRMAMOS que as diferenças entre as estruturas reprodutivas do homem e da mulher são integrantes do projeto de Deus para a auto concepção como masculino ou feminino.
NEGAMOS que anomalias físicas ou condições psicológicas anulam a ligação designada por Deus entre o sexo biológico e a autopercepção como homem e mulher.
Artigo VI
AFIRMAMOS que aqueles nascidos com desordem física de desenvolvimento sexual são criados à imagem de Deus e têm dignidade e valor assim como todos os outros portadores da imagem. Eles são reconhecidos pelo Nosso Senhor Jesus em suas próprias palavras sobre “eunucos que assim nasceram do ventre da mãe”. Juntamente com outros, eles são bem-vindos como seguidores da fé de Jesus Cristo e deveriam abraçar seu sexo biológico até o ponto que o mesmo seja conhecido.
NEGAMOS que ambiguidades relacionadas ao sexo biológico de uma pessoa a torne incapaz de viver uma vida fértil em obediência alegre a Cristo.
Artigo VII
AFIRMAMOS que a autopercepção como homem ou mulher deve ser definida pelos propósitos sagrados de Deus na criação e redenção, como revelado pelas Escrituras.
NÓS NEGAMOS que adotar uma autopercepção homossexual ou transgênero consista dos propósitos sagrados de Deus na criação e redenção.
Artigo VIII
AFIRMAMOS que as pessoas que possuem atração sexual pelo mesmo sexo podem viver uma vida rica e próspera, agradando a Deus através da fé em Jesus Cristo, enquanto eles, assim como todo Cristão, caminham na pureza da vida.
NEGAMOS que a atração pelo mesmo sexo seja parte da bondade natural da criação original de Deus, ou que isso ponha alguém fora da esperança do Evangelho.
Artigo IX
AFIRMAMOS que o pecado distorce os desejos sexuais por direcioná-los para longe do pacto matrimonial e por aproximá-los da imoralidade sexual – uma distorção que inclui tanto a imoralidade heterossexual como a homossexual.
NEGAMOS que um padrão persistente de imoralidade sexual justique o comportamento sexualmente imoral.
Artigo X
AFIRMAMOS que é pecaminoso aprovar a imoralidade homossexual ou o transgênerismo e que tal aprovação constitui um desvio essencial da fé e do testemunho de Jesus Cristo.
NEGAMOS que a aprovação de imoralidade homossexual ou de transgênerismo seja questão de indiferença moral sobre a qual Cristãos fiéis deveriam concondar para descordar.
Artigo XI
AFIRMAMOS nosso dever de falar a verdade em amor, incluindo quando falamos com ou sobre outra pessoa como masculino ou feminino.
NEGAMOS qualquer obrigação de falar em desonra ao projeto de Deus de seus portadores da imagem como masculino e feminino.
Artigo XII
AFIRMAMOS que a graça de Deus em Cristo fornece tanto perdão misericordioso como poder transformador, e que este perdão e poder permitem ao seguidor de Jesus aniquilar desejos pecaminosos e caminhar de uma forma louvável ao Senhor.
NEGAMOS que a graça de Deus em Cristo seja insuficiente para perdoar qualquer pecado sexual e para dar poder de santidade para qualquer crente que se sinta afogado no pecado sexual.
Artigo XIII
AFIRMAMOS que a graça de Deus em Cristo permite pecadores a abandonar autopercepção transgênero e através de paciência divina, a aceitarem o vínculo ordenado por Deus entre o sexo biológico e a autopercepção como homem ou mulher.
NEGAMOS que a graça de Deus em Cristo sancione concepções de si mesmos que estejam em desacordo com a vontade revelada de Deus.
Artigo XIV
AFIRMAMOS que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores e que através da morte e ressurreição de Cristo, o perdão e a vida eterna estão disponíveis para qualquer pessoa que se arrependa de seus pecados e confie em Cristo como seu único Salvador, Senhor e tesouro supremo.
NEGAMOS que o braço do Senhor seja curto demais para salvar ou que qualquer pecador esteja além do seu alcance.
Signatários Iniciais
Denny Burk, Presidente do Conselho sobre Masculinidade e Feminilidade Bíblicas
John Piper, Fundador e professor do programa Desiring God; chanceler do Bethlehem College & Seminary.
James Dobson, Fundador e presidente da Family Talk.
Russell Moore, Presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
JI Packer, Professor de Teologia, Regent College
Wayne Grudem, Professor de Pesquisa em Teologia e Estudos Bíblicos, Seminário Phoenix
R. Albert Mohler Jr., Presidente do Seminário Teológico Batista do Sul
Tony Perkins, Presidente do Conselho de Pesquisa Familiar
D. A. Carson, Presidente e Cofundador da The Gospel Coalition; Professor de Pesquisa do Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity School.
John MacArthur, Pastor da Grace Community Church e presidente do The Master's Seminary & College.
Sam Allberry, Editor da The Gospel Coalition
R. C. Sproul, Fundador e Presidente, Ligonier Ministries
Rosaria Butterfield, Autora de “Os Pensamentos Secretos de uma Convertida Improvável”
Andy Naselli, Professor do Bethlehem College & Seminary
Francis Chan, Autor e pastor, Nós Somos Igreja
Marvin Olasky, Editor-chefe da revista World Magazine.
Ligon Duncan, Chanceler e CEO do Seminário Teológico Reformado
Steve Gaines, Presidente da Convenção Batista do Sul; Pastor da Igreja Batista de Bellevue.
Andrew T. Walker, Diretor de Estudos Políticos da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa
HB Charles Jr., Pastor da Igreja Batista Metropolitana de Shiloh, em Jacksonville, Flórida.
Christopher Yuan, Palestrante e autor do Instituto Bíblico Moody.
Dennis Rainey, Fundador e ex-presidente da FamilyLife, um ministério da Cru.
Frank Page, Presidente e CEO do Comitê Executivo da Convenção Batista do Sul; Ex-Presidente da Convenção Batista do Sul.
Nancy DeMoss Wolgemuth, Autora e palestrante, Revive Our Hearts
Daniel L. Akin, Presidente do Seminário Teológico Batista do Sudeste
Kevin DeYoung, Pastor Sênior da Igreja Christ Covenant
Reverendo Alistair Begg , Pastor da Igreja Parkside
Heath Lambert, Diretor Executivo da Associação de Conselheiros Bíblicos Certificados.
Tradução. André Carvalho de Oliveira



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